Domingo, Março 23, 2008

Domingo à noite

Domingo à noite, nada para fazer, nada para comer em casa. Um passeio solitário a pé, a procura de algo para comer.

O dia foi bom, mas a noite... É sempre a noite de um domingo, mesmo que páscoa...
Um cachorro quente prensado, essa coisa suburbana do Rio, no meio da rua, sentado em um banco de plástico, olhando para o nada. Os carros passam ali perto, a rua tem bastante movimento.





Sinto novamente aquela sensação, já velha amiga, não estou para muitos amigos, parece que o mundo não tem mais muita graça e que tudo é sempre igual. Apesar de ser péssimo, é nessas horas, e apenas nestas horas, que consegue criar algo bom.
A comida ajuda a melhorar o humor, parece que parte era responsabilidade da fome, agora se extinguindo. Nossa, essa cebola com shoyo ficou uma delícia.

Pagamento, troco, o caminho de volta para casa está deserto. Os carros passando, alguém do outro lado da rua, uma pessoa suspeita, mas nada demais.

Em casa novamente, hora de voltar para o computador. Essa vida nerd delega muitas obrigações, e ficar muito tempo longe disso não é uma opção. Mensageiros instantâneos abertos, uma conversa sem sentido e triste aqui, outra ali...
Ela está indo dormir, tchau, beijos, te amo, como assim. Como assim? COMO ASSIM???

Não aceitação, confusão, exclarescimentos, dúvidas e divisões. Este mundo sempre nos prega uma peça, e o que parece certo é duvidoso. Nunca soube me manter em um relacionamento... Parece que mesmo assim... Não, você deve continuar, não vale a pena ficar. Ah, se soubesses como realmente as coisas são e como seria... Continue e... Você quer ir? Eu? É, procuraria um emprego e iria? Mas... É uma difícil escolha, amigos, família, cargo, tudo... Mas tem você do outro lado! Isso seria bom, ou não?
Não posso prometer, então tá, tchau e até amanhã. Despedida terça, depois nunca mais.

Como são as coisas... Nos domingos normais que acontecem as coisas estranhas, as coisas a distância que parecem certas se mostram tão duvidosas, e o que parecia ser uma atitude carinhosa e sincera se torna um pesadelo tragicômico.
Ainda no mesmo dia, algum tempo depois, já tranqüilo, é o coração que, apesar de sentimentalmente abalado, resolve mostrar que fisicamente também está. Ele dispara, o sangue some, me sinto fraco, mas rapidamente é possível retomar o controle e está tudo normal de novo.

Agora sim, essa é a vida que conhecemos! Hora de se preocupar com os estresses do dia seguinte, somar umas preocupações a mais, muito trabalho, algumas alegrias e curtir cada momento.