O dia parecia tranquilo para Pierre, acordou bem de manhã, o trabalho foi prazeroso, com direito a uma xícara de café com a nova funcionária, que era muito charmosa, antes de ir embora.
Pierre era um cara alto, branco, olhos castanhos claros. Seus cabelos, sempre penteados e com gel para dar o aspecto de molhados, eram castanho escuros. Não havia uma marca sequer em seu rosto, mas chamava a atenção uma pequena pinta bem próxima ao seu olho esquerdo. Tinha um corpo atlético, para isto passava horas na academia diariamente e estava sempre muito elegante em trajes esporte-finos.
Na volta para a nova casa, pois havia acabado de se mudar, nota que o céu está bem escuro, algumas gotas de chuva começam a cair suavemente. Ele entra no carro e sai em direção a sua casa, onde mora sozinho. Pensando no que fazer à noite, Pierre não prestou atenção a um grande buraco no meio da pista, que cortou seu pneu.
A chuva aumentava enquanto ele tentava trocar seu pneu no meio da estrada deserta.
Quando termina de colocar o pneu novo no lugar, percebe uma sombra se aproximando. Ele pega a chave utilizada para prender a roda e segura com firmesa. Estava preparado para atacar qualquer um que tentasse assalta-lo naquele lugar. Não conseguia ouvir o barulho dos passos, pois a chuva já estava muito forte. A sombra ia aumentando cada vez mais, seu coração batia cada vez mais forte. Não estava disposto a olhar quem estava vindo, queria pegá-lo de surpresa. Mas... E se ele estivesse armado? Teria que ser bem rápido, pensar em uma outra solução. Mas ele já estava ali, provavelmente a dois passos de Pierre.
Querendo saber exatamente a posição do bandido, ele olha para o chão, tentando ver a posição dos pés do assaltante quando percebe uma bela sandália preta. Então... Não era um ladrão, mas sim uma linda mulher vestindo um longo vestido preto.
Sua pele muito branca ressaltava seus olhos negros, assim como seus longos e lisos cabelos da mesma cor. Sua pele, mais delicada que a de qualquer mulher que Pierre já havia visto, estava toda molhada da chuva. Porém seus lábios continuavam com o forte batom vermelho.
Pierre, muito assustado, apoia a chave em cima do carro e pergunta para a mulher:
- Oi, posso ajudá-la?
- Olá, meu bom homem. Surpreso em ver um Dama por aqui? Pode-me dizer sua graça?
- Sou o Pierre, prazer.
A mulher faz um referência com os braços, aproxima-se e diz quase que em um sussurro:
- Porque não vamos para um lugar mais acolhedor? Dias escuros chuvosos são perigosos. Ah, perdão. Pode-me chamar de Clarisse.
- Oi Clarisse, diz Pierre, entre no carro. Eu te dou uma carona.
Pierre abre a porta do carro para Clarisse, ainda impressionado com sua elegância e beleza, dá a volta pela parte da frete dando uma batidinha com a chave no capô do carro e entra. Antes de partir, dá uma boa olhada para a mulher, respira fundo e resolve levá-la para algum restaurante fino. Afinal, não era todo dia que se encontrava alguém tão bonita e Pierre já sabia o que fazer para conseguir uma maravilhosa noite.
No meio do caminho Clarisse põe a mão esquerda na perna direita de Pierre, dá uma olhada rápida para seus olhos, eles correm para o pescoço. Sua mão que estava na perna de Pierre agora já toca seu pescoço com delicadesa, enquanto passavam por uma rua sombria. Suas unhas grandes e vermelhas arranham levemente o pescoso dele. Agora é a vez da boca se aproximar de sua orelha, ela sussura: "Você está me levando realmente para um lugar mais calmo? Estou toda molhada da chuva, porque não tomamos a direção do próximo hotel?".
Pierre, mesmo sem conhecer muito bem o caminho, faz a curva e a leva direto para o hotel que há ali. A chuva continua forte, agora ventava muito e as folhas de amendoeiras próximas balançavam. Um raio cai a não muitos kilômetro dali. Os olhos de Clarisse brilham com o raio e ela diz:
- A natureza é perfeita, não é? Gaia tem um grande poder de acabar com tudo que não quer, mantendo a si mesma sempre limpa e purificada.
Pierre não respondeu, estava nervoso demais para se preocupar com natureza ou Gaia.
- Os raios são lindos, ela continua, e tem uma grande capacidade destrutiva. O homem tenta cada vez mais os controlar, mas Gaia sempre consegue o que quer... A pureza é necessária...
Ela para olhando fixa para um ponto no céu, como se esperasse que alguma coisa fosse acontecer. As últimas gotas de chuva escorreram por sua face.
***
Eles chegam ao hotel, que era muito grande e antigo, portas gigantes estavam em sua entrada, as grandes janelas estavam fechadas para evitar que a chuva entrasse. Pegam um quarto com cama de casal e sobem. Seus passos ecoam no grande salão de entrada. Não há nenhum sinal de vida além dos três.
A escada, em formato curvo que tinha um grande tapete vermelho os levavam ao segundo andar. Se encaminham para o quarto 205, a grande suite presidencial, destrancam a porta de luxo, com maçanetas douradas e adentram o quarto. Uma grande cama de casal riquíssima em detalhes esculpidos na madeira os aguardava com um lençol muito branco. Havia um papel de parede cuja a metade de baixo era marrom escuro, com faixas marrom mais claro formando losângulos. Uma espessa linha vermelha sangue dividia as duas partes, e logo acima tudo era um calmo amarelo escuro, com pequenos losângulos marrom claros desenhados espaçadamente.
De frente para a porta havia uma lareira com duas cadeiras vermelhas aparentemente muito confortáveis. Na direita estava a cama, enquanto na direção oposta podia-se ver a porta do banheiro.
O quarto não tinha nenhum aparelho de tv, sua iluminação era feita por um grande candelabro com diversas lâmpadas pequenas, a cor do teto acompanhava a parte de cima das paredes.
Pierre se encaminhou diretamente para a lareira sem dizer uma só palavra. Acendeu o fogo e tratou de se sentar na cadeira da esquerda, enquanto Clarisse foi diretamente ao banheiro.
- Agora é a hora, ele pensa. Essa vai ser fácil... A noite será perfeita!
O som do chuveiro abrindo deixa Pierre mais excitado. Falta pouco agora. E se... E se eu entrasse no chuveiro com ela?
Na mesma hora ele se levanta, tira a camisa e joga no chão, próximo a cama. Vai andando até a porta do banheiro, que está semi-aberta, tirando o resto da roupa e entra. O banheiro, que tinha as mesmas cores do quarto, era grande e arejado. Havia uma banheira em um canto, e no outro a pia, que ficava próxima da porta e parecia muito antiga. No fundo dava para ver o boxe, onde Clarisse tomava banho.
Sem que estivesse esperando, o chuveiro se fecha, a toalha branca rola devagar para o outro lado, a porta é aberta. Ela põe a cabeça para a fora e diz: Vem!
Pierre vai caminhando sem conseguir esconder uma grande expressão de vitória. Ao chegar bem próximo ela sai de trás do boxe deixando cair a toalha, o abraça e começa a beijar sua orelha esquerda, descendo até o pescoço. Sem que Pierre perceba, os dentes caninos de tal dama estão vagarosamente crescendo, e ela encrava as unhas grandes em sua pele assim como seus dentes em seu pescoço.
Após este dia, ninguém nunca mais ouviu falar de Pierre...
Quarta-feira, Agosto 18, 2004
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